sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A igreja solteira

        

         Aquele deveria ter sido um dos dias mais especiais na vida de uma linda jovem. Durante 12 meses ela havia se preparado para um dos momentos mais esperados na vida de uma mulher. Foram meses de expectativa e preparação, distribuição de convites para muitos queridos amigos e parentes, a escolha do melhor vestido, do melhor lugar para a realização do evento e agora as coisas estavam finalmente acontecendo. Um lindo casamento  iria ocorrer entre um homem e uma mulher apaixonados. A partir do momento em que o sacerdote abençoasse aquela união os dois passariam a ser apenas uma só carne e deveriam então sentir as mesmas coisas, viver os mesmos momentos, atravessando juntos os mares tortuosos e as calmarias. Tudo isto seria um grande sonho se algo estranho não estivesse acontecendo. Onde estava o noivo? Ao que se sabe e pela tortuosa tradição, é a noiva quem geralmente se atrasa, mas naquele dia já passava a hora marcada e o noivo não aparecia. Passadas algumas horas, depois de tentarem encontrá-lo em todos os cantos possíveis, uma expressão de desânimo começou a tomar todos os presentes. A pobre noiva já não se continha em sua ansiedade e um misto de desespero e decepção tomava o seu coração apertado. Findado o prazo estipulado para a cerimônia não havia outra solução se não comunicar aos poucos convidados ainda presentes o óbvio: O noivo não viera, não cumpriu os votos! Deixou a pobre noiva triste e desesperada em pleno altar e  naquele momento os anos de espera e os 12 meses de preparação transformaram-se em horas concentradas de desespero e decepção resumidos em uma dor pontiaguda no coração daquela jovem noiva, tão absurdamente envergonhada diante de todos os seus conhecidos, amigos e familiares.
        Talvez você esteja se perguntando: “Mas que pregação (estudo) mais estranha é esta?”, que negócio é este de noiva abandonada no casamento? Isto pode parecer estranho a princípio mas é uma das maiores verdades existentes na atualidade da igreja cristã e consequentemente para aqueles que fazem parte do seu corpo: A IGREJA ESTÁ SOLTEIRA! Mais do que isto, a igreja corre sério risco de ser abandonada em pleno altar. Neste sentido, pelas misericórdias do Senhor vamos discorrer a respeito deste tema trazido por Deus ao meu coração, crendo que será um momento de aprendizado, avivamento e bênçãos para você e para a sua família. Que a gloriosa paz de Deus lhe permita receber e compreender esta mensagem.

Abra a sua bíblia no livro daquele considerado O MAIOR PROFETA do antigo testamento, filho de Amoz, que era irmão do rei Uzias, contemporâneo do rei Ezequias, tendo vivido cerca de 700 anos antes de Cristo. Seu nome é Yesha’yahu, ou Isaias para nós, cujo significado é “Deus é Salvação”.

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        Isaias é conhecidamente um dos profetas messiânicos do antigo testamento. Isto acontece porque grande parte dos textos encontrados no livro cuja maior parte da autoria é atribuída ao seu nome, contém profecias a respeito dAquele que haveria de vir para retirar o pecado do mundo. É no Tanakh (Escrituras hebraicas do antigo testamento) onde encontramos o glorioso capítulo 51 e as suas palavras – “(...) Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia na sua aparência para que o desejássemos. (...) Certamente ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava com ele, e pelas suas feridas fomos curados. (...) Ele foi oprimido e afligido, e contudo não abriu a boca, como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a boca” e além destas muitas outras capazes de fazer este profeta ser citado cerca de 400 vezes pelos profetas do novo testamento.
Uma leitura desatenta pode atribuir os textos iniciais do profeta Isaias a quem, de fato, não seja interessado, mas basta ir ao início do livro para ter uma visão ampla e abrangente. Isaias começa o seu livro dizendo: “Visão que Isaias, filho de Amoz, teve a respeito de Judá e Jerusalém...”. Ora! Quem habitava nesta região senão o próprio povo separado e escolhido do Senhor. Isaias está falando de um povo, que havia se apartado do verdadeiro sentido da palavra de Deus. As sinagogas estavam mais preocupadas com as ofertas do que com a purificação das almas, e foi por isto que ele disse: “Para que me oferecem tantos sacrifícios? Para mim chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos. Não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes”.  A visão espiritual trazida pelo profeta mostrava um povo preocupado em comprar as suas bênçãos por meio de ofertas polpudas a Yavé Deus. As sinagogas estavam mais preocupadas com eventos POPs do que com os cultos de ensinamento, doutrinas e avivamento e por isto disse o profeta: “Suas festas da lua nova e suas festas fixas, eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais!”. As sinagogas estavam cheias de homens pecadores, cheios deles e sem nenhum arrependimento, entrincheirados nas suas vestes rabínicas que só lhes traziam status e por causa deste status muitos lutavam, matavam e dividiam-se em mais e mais congregações. Não por acaso, o profeta nas suas revelações disse: “Venham, vamos refletir juntos, - diz o Senhor. “Embora os seus pecados sejam vermelhos como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como a púrpura, como a lã se tornarão”. Desta forma chegamos a um dos textos emblemáticos deste profeta, os quais só podem ser compreendidos se apreciados de forma muito espiritual. Por favor, vá comigo até o capítulo 4 onde leremos apenas os dois primeiros versículos com suas eternizadas palavras:

 “Naquele dia sete mulheres agarrarão um homem e lhe dirão: “Nós mesmas providenciaremos nossa comida e nossas roupas; apenas case-se conosco e livre-nos da vergonha de sermos solteiras!” 2 Naquele dia o Renovo do Senhor será belo e glorioso, e o fruto da terra será o orgulho e a glória dos sobreviventes de Israel”.

        Encontramos neste texto uma série de códigos que se bem compreendidos podem levar você a um mergulho profundo na sua espiritualidade capaz moldar o seu caráter, a sua personalidade, a sua fé e o seu entendimento a cerca de muitas coisas dentro dos prospectos de santidade esperados por Yavé Deus na sua vida.  Se os seus ouvidos (ou olhos) estiverem prontos e dispostos a receber, tenho certeza de que esta palavra (este estudo) poderá impactar de maneira muito positiva a sua vida e a vida da sua família.

Um dia inesperado de dor e tristeza
        O primeiro texto grafado nesta visão do profeta Isaias é: “Naquele dia”. As duas palavras unidas apontam para um momento no tempo e no espaço que vai acontecer, sem contudo haver uma data específica e derradeira. Ao dizer “naquele dia”, o texto apontara para um futuro que poderia ter sido mais próximo ou que poderá ainda ser muito distante do espaço-tempo onde estamos situados na atualidade, entretanto ele é enfático: Vai haver um dia! Isto me faz lembrar os textos proféticos de Atos dos Apóstolos. O capítulo primeiro nos informa que Jesus havia apresentando-se aos seus discípulos por quarenta dias dando-lhes muitas provas de que estava vivo. Depois de ordenar que não saíssem de Jerusalém Ele disse: “Esperem pelo meu Pai, pois João os batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo”. Diz o texto que os discípulos atônitos lhe perguntaram – “Senhor é neste tempo que vais restaurar o Reino a Israel?” e o Messias respondeu – “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade, mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da Terra”. O Messias mal havia acabado de falar e ali mesmo, na frente dos seus discípulos, foi levado às alturas ao mesmo tempo em que eles eram cobertos por uma nuvem de glória. O texto diz que “de repente” surgiram diante deles dois homens vestidos de branco os quais lhes disseram: “Ei, varões Galileus, porque vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus que dentre vocês foi levado aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir”.

Naquele dia deixou de ser ontem, mas pode ser agora! Do mesmo Jeito que ele subiu, inesperadamente, vai retornar inesperadamente e você precisa apresentar-se a ele conforme diz a palavra “como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável (Ef. 5.27)

O número sete
       
Encontramos aqui um dos maiores simbolismos encontrados na palavra de Deus. O sete representa a perfeição, o número cabalístico (misterioso, enigmático) e ao mesmo tempo profético. Todas as vezes que o número sete aparece no Sefer Torá, ou na nossa santa e indivisível bíblia cristã, algo tremendo acontece. Se recorrermos ao Bereshit, o livro do começo, o próprio capítulo 1.1 diz: “No princípio, criou Deus o céus e a Terra”. Mesmo com mais de 3.500 anos de idade (considerando a escritura do texto e não o tempo referente aos fatos) esta é uma frase cuja tradução original hebraica está composta em torno de sete palavras. Muitas das intervenções de Deus em relação ao homem, estão representadas em torno de sete atitudes, sete objetos, sete lugares. O sete, em geral representa o fim escrito por Deus para um determinado fato, de forma que quando completado, nada se poderá acrescentar e nada se poderá tirar. Apesar de nós, mortais, humanos e desatentos, entendermos a bíblia como um conjunto de parágrafos, palavras e sinais, a bíblia de fato é composta de números que se compõem entre si de uma forma muito além do limiar da nossa compreensão. Escolha uma pagina da bíblia! Ore a Deus e você encontrará nesta página a representação do sete, o número da perfeição de Deus. Avance um pouco mais e você verá na bíblia original hebraico-aramaica a representação do sete em todo o contexto morfológico e sintático. Acrescente a isto os 1.600 anos que se passaram desde o primeiro alfa até o último ômega da palavra de Deus, junte também os 66 livros e os mais de 40 autores e você verá como é difícil para alguém natural gerar tantas mensagens em torno do sete. Entre milhares de significados vamos destacar um simples, mas que talvez você ainda não tenha lido, ou quem sabe... contado. A palavra Hebraica para Deus é Elohim, com seis letras. Sua tradução é uma palavra no plural que significa Deus “Tri-uno”, ou seja “três em um”, em tempo o Pai, o filho e Espírito Santo. Quando este Deus triuno criou o homem o fez à sua imagem e semelhança também triuno com corpo, alma e espírito. Até agora temos Pai, Filho, Espírito Santo, Corpo, Alma e Espírito representando seis estruturas. Estas seis estruturas foram separadas por causa do pecado e redimidas pela cruz do calvário e o sacrifício do filho que se fez carne para receber nele as dores das nossas transgressões, então é na cruz onde estas seis estruturas são redimidas e onde o sete definitivamente se manifesta. Agora sim temos o sete! O Pai, o Filho, o Esírito Santo, A CRUZ QUE REDIME O PECADO DO HOMEM, o Corpo, a Alma e o Espírito.
Quer ver como isto se confirma em você mesmo. Abra os braços, verá uma cruz! Conte as partes dos membros: mão – braço – antebraço – tronco – antebraço – braço - mão = Sete! Achou pouco? Vejamos como a bíblia divide o corpo: Cabeça (Dt. 28.13)– Mãos (Sl 18.24) – Braços  (Dt 33.37) – Ventre  (Jó 1.21) – Pernas (Ap. 10.1) – Joelhos (Rm. 14.11) – Pés (Hb. 12.13), e adivinhe: Sete de novo! Quer ver isto confirmado matematicamente na bíblia leia João 17.21, os números de dentro (interior – alma e espírito) 7.(x)2 = 14, os números de fora (11 = homem-corpo) 1 + 1 = 2, e 14 dividido por 2 = 7 e a propósito o texto: “Para que todos sejam um, Pai, como tu estas em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” .

A representação do homem e da mulher


        A mulher está configurada dentro da representação bíblica como a própria igreja, mas para isto deve desejar casar-se com o noivo que é Jesus.  A mulher que não deseja casar-se e não deseja ter filhos não pode representar a igreja pois não dará frutos e serão pelos nossos frutos que seremos considerados diante de Yavé Deus. Um dia o Senhor estará devidamente preparado e adornado para vir buscar a sua noiva e o fará através de um casamento cuja aliança jamais será quebrada novamente. Noivo e Noiva estarão juntos e unidos para sempre e definitivamente o que Deus uniu o homem jamais poderá separar pois seremos revestidos de glória e não de humanidade. O texto em Efésios 5.22 e 23 diz qual deve ser a posição desta igreja configurada em torno da figura da mulher e em relação a Deus: “Mulheres, sujeite-se cada uma ao seu marido como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador”.
        Ao mesmo tempo em que encontramos a igreja representada na figura da mulher que se faz noiva, também encontramos a figura do homem representando o Messias que vem em busca da sua igreja. O texto em 1ª. Timóteo 2.5 diz – “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus”. Neste sentido compreendemos a simbologia implícita em torno do homem e da mulher compreendendo claramente todas as ligações entre um e outro como algo santo, preparado por Deus e sempre voltado para as representações espirituais em torno do ser supremo ao qual veneramos.

A igreja está comendo o próprio
pão e vestindo a sua própria roupa
        Antes de continuar vamos lembrar que a igreja está representada em torno dos seus membros que formam um corpo e não das suas paredes formando um prédio. Um templo sem pessoas é só um prédio, um templo com pessoas é um adoratório tão poderoso que é capaz de mover a maior divindade do universo com apenas duas pessoas reunidas. É por isso que lemos em Mateus 18:20 – Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles”. Quando falamos em torno do estado atual da igreja não falamos de prédios e sim de pessoas. Sendo assim poderíamos melhorar este título dizendo: “O estado atual dos cristãos que habitam a igreja de Yavé Deus”. E qual este estado? Deplorável. A visão de Isaias talvez jamais tenha sido tão atual quanto o que vemos nos dias de hoje. A igreja definitivamente resolveu ficar solteira, andar pelos seus próprios passos e pelos seus próprios entendimentos deixando a divindade completamente de lado. O que vemos são pessoas mais preocupadas com ofertas, eventos, megaconstruções e politicagens. Os textos bíblicos tem sido substituídos por mensagens de motivação sem conteúdo profético, no máximo com conteúdo místico mas sem base bíblica. Pessoas se entregam ao misticismo, rodando, caindo e até rastejando como cobras em cultos capazes de remontar as barbaridades cometidas pelos profetas de Baal e sua fiel seguidora Jezabel. A glossolalia (falar profético em línguas estranhas) tornou-se o centro da pregação e não o resultado, contrariando as palavras do apóstolo Paulo escrevendo à “toda torta” igreja de Corintos onde ele diz: “Quem fala em língua desconhecida edifica a si mesmo, mas quem profetiza edifica a igreja”. Milhares de pessoas estão desviadas do foco em torno dos mistérios da palavra de Deus, muito mais preocupadas com o tal “manto”, e sabe-se lá de onde tiraram este conceito.
        Estas sete mulheres representam as sete igrejas referenciadas pelo apostolo João na Ilha de Patmos quando recebeu a santa revelação do Apocalipse. Estas sete igrejas representam sete fases, ou sete modelos de igrejas representadas em torno de qualidades e falhas as quais o Senhor evidencia e adverte de forma sublime, deixando um rastro poderoso a ser seguido por todos os interessados em viver uma vida de santidade em relação aos mandamentos do Senhor. Veja que com cerca de 750 anos de antecedência, este profeta messiânico está profetizando em torno de algo que só viria após a vinda do Messias. Atualmente a igreja está “agarrada” aos morfologismos compreendidos como divindade, porém, como diz o texto “fazendo a sua própria comida” como se fossemos capazes de produzir um novo alimento, uma nova palavra para saciar o sofrimento dos famintos pela palavra verdadeira de Deus. Da mesma forma o texto diz: “Faremos a nossa própria roupa”. Ora! Veja se não estamos trocando as vestes brancas e simples do Senhor por vestes sublimes, porém absolutamente humanas. Queremos cargos, queremos posição, queremos status, como se isto fosse o centro de todas as coisas e não a salvação. Não se usa mais o alimento espiritual do Canon bíblico, dispensa-se os mandamentos entrincheirados na exegese da palavra e deixa-se de lado os detalhes, como o texto em Mateus 5:18 dizendo – “Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra (nvi)”. Também deixou-se de lado uma das 613 leis do Sefer Tora, contida no manual litúrgico dos servos da tribo de Levi, o Livro Levítico. Este livro possui uma particularidade, o seu nome origina do hebraico – Wyyiqrã – e significa “E ele chamou”, representando um chamado da parte de Deus à santidade e ao respeito às suas leis. O texto deste livro de Leis diz no capítulo 19 e no versículo 19 – “Não plantem dois tipos de sementes na sua lavoura, não usem roupas feitas com dois tipos de tecido”. A semente representa a palavra de Deus a qual não pode ser misturada a nenhuma outra ideologia. Tal e qual o agricultor sabe da impossibilidade de misturarem-se dois tipos de semente numa mesma cova, e essencial ao cristão saber da mesma impossibilidade de misturarem-se duas ideologias diferentes em torno da palavra de Deus num mesmo corpo. A mistura dos tecidos reflete o mesmo pensamento porém voltando-se ao tipo de cobertura espiritual. A roupa representa cobertura, aparência e condição (status). Neste sentido Yavé Deus proibiu a mistura de dois tipos de tecido ao seu povo como ritual para o cumprimento da suas ordenanças, visando mostrar ao povo a necessidade de permanecer fiel a uma só cobertura, a cobertura do Espírito Santo de Deus, uma só aparência, a aparência de santidade a qual todos nós devemos refletir por meio de Cristo Jesus e uma só condição, a de Salvos na autoridade do Pai, do Filho e do Espírito Santo de Deus. Veja se estas revelações não contrariam totalmente a visão implementada por muitas ideologias novas em torno do evangelho, que andam misturando comida boa com comida ruim e vestes de santidade com vestes de soberba.

A igreja de fachada

        Em sua visão o profeta Isaias vê a formação da igreja do Senhor representada entre estas sete mulheres, desesperadas para casarem-se e serem libertas da vergonha de não terem sido aceitas por um bom marido. O texto diz – “apenas case-se conosco e livre-nos da vergonha de sermos solteiras!” refletindo a realidade dos nossos dias de forma muito completa. Atualmente todo mundo quer ser evangélico. Virou moda ostentar camisetas com temas cristãos, virou moda vestir-se elegantemente para ir aos cultos aos domingos e professar de peito cheio uma cristandade inexistente. É muito fácil falar “sou Cristão”, mas é difícil cumprir esta verdade. Para ser cristão é preciso amar pessoas, para ser cristão é preciso amar a Deus e saber perdoar em toda e qualquer situação. Também é preciso ser desprendido das coisas materiais e ligado as imateriais como santidade e salvação, dando a estas, mais valor do que as outras.

Será que estamos aptos então
a ser cristãos verdadeiros?
 Se pudéssemos utilizar uma das sete igrejas citadas no apocalipse, talvez Laodicéia seja umas das mais repletas em termos de fatores simbólicos e históricos para responder a esta questão. O texto dirigido a Laodicéia contem passos simbólicos e apostólicos capazes de acabar com a solteirisse da igreja e trazer uma grande avivamento para o seu povo. Falar em avivamento nos dias atuais é algo complexo. Muitas pessoas compreendem errado o verdadeiro significado desta palavra. O termo avivar na sua raiz hebraica significa basicamente “preservar” ou “manter vivo”, porém este termo escrito mais de 250 vezes no antigo testamento também significa purificar, corrigir e livrar do mal. Em tempo, avivamento, conforme a tradução do grego anakaínoo entre outras palavras significa reacender uma chama que se apaga vagarosamente.  Toda as vezes que Deus livrava o seu povo de uma dificuldade havia em primeiro lugar, um grande avivamento e durante este avivamento também aconteciam as cerimônias de purificação. O Salmo davídico 85.6 diz – “Por ventura não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo”.  Em tempo, de uma forma mais prosaica, avivamento é um novo fôlego trazido em torno da intervenção divina do Senhor em relação a algo que estivesse perdendo a sua essência. O profeta Habacuque disse “Ó Yahweh, eu ouvi falar da tua fama e tremo diante dos teus atos, SENHOR. Aviva de novo, em nossos dias, as mesmas obras maravilhosas que fizeste no passado...”. Compreendemos aqui que o avivamento é vivido no tempo e no espaço ao qual pertencemos e precisa ser sentido como era no passado. Conforme compreendemos o avivamento não é uma chama a ser acesa, e sim uma chama a ser aumentada, dentro dos seus dias e que permanecerá por muito tempo, quem sabe até a eternidade.
        Encontramos no primeiro milagre de Jesus um grande avivamento. No segundo capítulo do livro de João a bíblia relata um grande acontecimento para a época. Este avivamento estava acontecendo em Caná da Galiléia e naturalmente possuía o sete entrincheirado na sua exegese pois a comemoração deste avivamento durava sete dias. Tratava-se de um casamento. A festa estava indo muito bem até que o vinho acabou. Maria a mãe de Jesus diz ao seu filho “Não tem mais vinho!” e Jesus então transforma seis grandes jarras de água em vinho da melhor qualidade restaurando a felicidade dos noivos e de todos os convidados. Lembra-se do simbolismo? O noivo representa Jesus, a Noiva representa a igreja, e para aprender agora, o vinho nesta passagem representa a felicidade e a vida (avivamento). Quando Jesus, representando o Pai chega, o vinho havia acabado, mas a mãe, uma virgem, representando a igreja de porta estreita pela qual havia nascido o menino Jesus e pela qual todos devem passar, clama por um novo vinho, um novo avivamento. O Pai então ouve o clamor da igrejá e transforma a água, insípida em vinho novo e bom. Avivamento!
        Este é o conceito de avivamento que o Senhor deseja para os seus filhos. Sempre que Ele chega precisa haver renovação e depois que Ele chega nós desfrutamos dos melhores frutos desta Terra, conforme diz o livro de Isaias 1.19 – “Se vocês estiverem dispostos a obedecer comerão os melhores frutos desta terra”. No primeiro livro de Reis e no capítulo 17 encontramos outro avivamento. Uma viúva encontrava-se com a sua chama quase apagando, catando gravetos para preparar uma refeição para ela e seu filho. Segundo o seu relato a Elias, após aquela fraca refeição com o seu punhado de farinha e azeite, ela morreria. Elias lhe deu uma ordem: Faça o que lhe pedi, me traga um pequeno bolo com o que você tem e traga para mim, e depois faça algo para você e seu filho, pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: A farinha (farinha tem sete letras)  na vasilha (vasilha tem sete letras) não se acabará (acabará tem sete letras) e o azeite na botija não se secará até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra e o texto confirma tudo isto no versículo “16” (vou parar de fazer conta...) onde está escrito – “Pois a farinha na vasilha não se acabou e o azeite na botija não se secou, conforme a palavra do Senhor proferida por Elias”. Enfim! Se você estiver disposto a obedecer estes sete passos o avivamento vai ser constante na sua vida.

Acabando com a solteirisse e bem vindo avivamento!

 Laodicéia era uma igreja solteira, ou como titulamos, uma igreja de fachada. No livro de Apocalipse o apóstolo João descreve a sua revelação em torno desta igreja no capítulo 3 e a partir do versículo 14 dizendo: “Ao anjo da igreja em Laodicéia (...) 15 conheço as tuas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente!  16 Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. 17 Você diz: “Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada”. Não reconhece porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. 18 Dou-lhe este conselho: Compre de mim ouro refinado no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. 19 Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.

PRIMEIRO PASSO
Saiba que Deus conhece as tuas obras
        O avivamento vem quando temos a plena compreensão da onisciência de Deus. Ele sabe todas as coisas e Ele vê todas as coisas estando ao seu lado todo o tempo dentro do princípio da sua onipresença. Muitas pessoas tem o hábito de dizer que o Espírito Santo fica do lado de fora quando entramos em um lugar que não compactue com o padrão de santidade estabelecido por Deus para as nossas vidas, mas este é um engano. Deus está com você na hora do pecado e Deus está com você na hora da santidade. Deus conhece e esquadrinha o seu coração e “da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio espírito intercede por nós com gemidos inexpremíveis (Rm 8.27)”. Esta era a igreja de Laodicéia que explanava obras muito bonitas, mas não vivia em conformidade com a palavra de Deus. Templos maravilhosos e suntuosos, mas como dissemos antes, apenas prédios. Deus não quer prédios, Deus deseja almas, muitas almas vivas, avivadas e sadias.

Chegou o seu momento de reconhecer diante de Deus a qualidade dos teus frutos e das tuas obras! Abra o seu coração e declare com a sua boca o que Ele já sabe há muito tempo mas ainda não ouviu da sua própria criatura e receba o avivamento!

SEGUNDO PASSO
Frio ou quente, decida-se!
        As águas de Laodicéia vinham de aquedutos termais estabelecidos ao sul da cidade. A questão é que esta água vertia quente das fontes e chegava morna à cidade. Para beber esta água era necessário colocá-la em vasos, às vezes enterrados em locais úmidos e esperar a temperatura adequar-se, entretanto, muitas vezes a sede era maior do que a capacidade de esperar e os moradores de Laodiceia viam-se obrigados a beber água morna. Ao fazerem isto, em pleno clima desértico não era raro passarem mal e prejudicarem a saúde. Deus usou esta simbologia para mostrar aquele povo que tal e qual a água morna horrível bebida por Laodicéia,  também estava a sua posição diante deles. A água não era quente o suficiente para cozinhar ou esterilizar, e nem fria o suficiente para beber, com isto era inútil e capaz de trazer ânsia e vômitos a quem a bebia. Este era o mesmo sentimento do Senhor com relação a eles: A sua forma de vida não servia para nada! Por outro lado a cidade de Laodicéia era muito próspera e rica, porém suas fontes de água estavam fora das cercanias da cidade e com isto ficavam vulneráveis aos ataques dos inimigos. Uma cidade para se tornar capital necessariamente precisaria ter a sua própria fonte de água. Em outras palavras de nada adiantaria o esforço e a pompa da Laodicéia pois a sua natureza jamais lhe permitiria atingir objetivos maiores.

Como você tem se apresentado diante de Deus, frio ou quente. Deus está clamando pela sua decisão. Ou você está dentro ou você está fora, mas jamais seja morno. Deus deseja aqueles adoradores em Espírito e verdade. Chegou o seu dia de deixar de ser morno e se tornar quente. Quente é quem crê, quente é quem não desiste e “crente” é quem tem a plena convicção de que Ele esteve morto, mas agora vive para sempre!

TERCEIRO PASSO
Desprenda-se das coisas materiais
        O versículo 17 diz – “Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada”. Laodicéia possuía um dos mais modernos sistemas bancários do mundo. Muitos homens de diversas etnias e crenças preferiam guardar o seu dinheiro nos bancos de Laodicéia. Mesmo não tendo um sistema de monetização financeira semelhante aos atuais, a cidade era capaz de oferecer vantagens a quem depositasse o seu dinheiro junto aos seus bancos. Isto dava aquele povo uma falsa ideia de riqueza. Eles tinham muito dinheiro acumulado e praticamente não tinham o que fazer com ele. Com isto muitos aproveitadores simplesmente não trabalhavam e viviam de negociar dinheiro por dinheiro, na forma de empréstimos e financiamentos para diversos setores produtivos da época. Este é um dos principais sinais da igreja solteira: Uma igreja que preza apenas pelos bens materiais em detrimento aos bens espirituais. Laodicéia não conseguia ver Deus como dono de todo ouro e toda a prata e entendiam o dinheiro como uma fonte de riquezas maior do que Deus. A mensagem do Senhor para aquele povo foi bem direta: “Não reconhece porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu”. Definitivamente as palavras foram fortes! O apóstolo João, na sua revelação à próspera, mas desandada igreja de Laodicéia estava dizendo o seguinte: Por mais que vocês entendam-se ricos, a sua pobreza desperta a compaixão de Deus. Na realidade vocês são cegos! Não conseguem compreender a verdadeira riqueza, e estão nus! Não tem a menor capacidade de cobrir nem o próprio corpo quanto mais as outras coisas à sua volta.
O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? A igreja é lugar de receber avivamento, salvação, cura e autoridade. Buscar riquezas não faz parte dos planos de Deus. Se você deseja ter um verdadeiro avivamento busque a coisa certa!

QUARTO PASSO
Vista-se e revista-se de santidade
        A continuação do texto diz: “compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez”. Outra curiosidade em torno da cidade de Laodicéia era a sua tradição em produzir tecidos, principalmente um tecido tingido de negro, muito famoso em todas as cidades desenvolvidas naquela época. Utilizar os tecidos negros de Laodicéia gerava status dado o alto valor do tecido e também a sua beleza incomparável naqueles dias. Nesta linha, o Deus Yavé continua parafraseando a realidade explicita de um povo e fazendo-os refletir em torno do seu comportamento e do seu padrão religioso. O Pai não estava preocupado com vestes bonitas e sim com vestes de santidade. O pai não estava preocupado com a beleza de tecidos negros, mas com simplicidade e a humildade representadas em torno das vestes brancas da sua santidade. Do que adiantava ostentar os melhores tecidos da época, se a alma daquele povo estava suja, depalperada e desprendida da ligação viva com o Espírito Santo de Deus?

Chegou o momento de trocar as suas vestes! O “naquele dia” do Senhor é hoje para você. Abra o seu coração para Deus, livre-se de todos os tipos de vestidura espiritual que não representem dignamente a presença de Deus na sua vida e receba o verdadeira avivamento do Senhor.

QUINTO PASSO
Abra os seus olhos para Deus
        Continuando a série de paráfrases em torno da realidade vivida pelo povo de Laodicéia assim disse o Senhor: “e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar”. A cidade ostentava além de todas as coisas já citadas, um dos maiores centros oftalmológicos do mundo. Os maiores especialistas em olhos estavam em Laodicéia, de modo que pessoas de todas as partes vinham até a cidade para tratar os seus problemas. Pedir aquele povo para comprar colírio era, de fato, uma grande humilhação dada a sua tradição exatamente na produção de colírio. Esta era a mensagem do Senhor: Era momento de tratarem os seus olhos espirituais e verem coisas novas em torno de um evangelho verdadeiro, capaz de curar a alma e não só o corpo, pois este iria perecer, tal e qual os dos velhos e dos doentes cujo colírio produzido por eles não conseguia gerar resultados. Deus estava chamando atenção daquele povo para um novo tipo de colírio, capaz de abrir o entendimento em torno das coisas do Senhor de uma forma jamais compreendida entre eles, e gerar resultados consequentemente jamais atingidos.

Abra seus olhos para Deus. Talvez, por muito tempo, você tenha estado cego em relação a muitas coisas, mas o Pai está abrindo os seus olhos através destas revelações para você enxergar um padrão profético de vida. O profeta Isaias disse “Os olhos do arrogante serão humilhados e o orgulho dos homens será abatido, somente o Senhor será exaltado naquele dia” (Is. 2.11)

SEXTO PASSO
Arrependa-se e mude de vida
        O versículo 19 disse assim: “Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se”. Perceba algo tremendo neste texto: Deus está dizendo que ama o povo de Laodicéia! Mesmo com todos os seus pecados e as suas ideologias baratas o Senhor ainda mantém por eles o seu amor ágape incondicional e irrestrito. Que condição maravilhosa para qualquer cidade ou qualquer pessoa interessada em render-se aos mistérios do Espírito Santo. Deus está disponível para todos de uma forma abrangente e clara. Mesmo quando há pecados, transgressões e outras dificuldades Ele está sempre ao nosso lado. O texto em Atos 3.19 diz: Arrependam-se, pois e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados. Este é o desejo do Senhor para todos: Vê-los arrependidos dos seus pecados e assumindo uma nova posição diante do mundo e em relação à sua santidade.

Chegou o dia do seu arrependimento! Chegou o momento de olhar para Deus e dizer: Senhor eis-me aqui, pronto para receber de ti tanto a disciplina como o amor. Deus vai ouvir o seu clamor e vai mudar a sua vida de uma forma como você jamais imaginou.

SÉTIMO  PASSO
Esteja pronto para ser renovado
        O versículo 2 do Isaias 4 diz: 2 Naquele dia o Renovo do Senhor será belo e glorioso, e o fruto da terra será belo e glorioso, e o fruto da terra será o orgulho e a glória dos sobreviventes de Israel. Você já aprendeu sobre o significado do inicio deste versículo onde lemos “Naquele dia”. Então você já sabe que isto pode acontecer agora ou daqui a algum tempo, mas definitivamente vai acontecer na sua vida. Haverá o dia do Renovo. Isto significa um novo fôlego para trabalhar, para orar, para crer e para viver, em todos os sentidos. Deus na sua infinita sabedoria declara este dia como “Belo e glorioso”, então podemos crer que neste dia não haverá choro, não haverá ranger de dentes e todas as setas inflamadas do inimigo estarão contidas bem longe da sua vida e da vida da sua família. Aprendemos neste texto uma nova visão em relação aos frutos. Sempre avaliamos frutos como bênçãos materiais, porém neste caso o Senhor está dizendo que o fruto da terra será o prazer (orgulho) e a vitória declarada (glória) de Israel (povo de Deus). Veja quão grandes são as promessas do Senhor para a sua vida e como Deus pode mudar todo o seu entendimento e os seus dias. Esta é a promessa exposta em todos os seus códigos. Não por acaso expomos aqui 7 passos especiais para a sua vida, mudar vertiginosamente. Se você for capaz de segui-los, vai ser capaz de receber todas as vitórias contidas nos códigos textuais e matemáticos da palavra de Deus. Abra o seu coração, abra a sua mente e deixe o Senhor trabalhar no seu coração.
        Chegou o dia do casamento! É hora da noiva encontrar o noivo e você é o personagem principal nesta grande festa de avivamento. Diferente da primeira história agora deverá ser tudo diferente. O noivo não vai deixar a noiva abandonada no altar. A família não vai passar vergonha e o resultado deste casamento serão nada mais, nada menos do que frutos capazes de gerar vida e vida em abundância para todos os crentes em Cristo Jesus.


pr. altamir de souza
Na Visão de Multidões!
Shalom Aleichem, Aleichem Shalom
A paz seja convosco, convosco esteja a paz

Todos os nossos textos estão liberados para pregações e estudos,  porém a publicação, quer seja por meios físicos ou eletrônicos só poderá ser feita mediante a autorização expressa do autor. 

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Decodificando o Pai Nosso

Uma palavra profética em torno de um dos textos mais conhecidos da Palavra de Deus!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O galo e a fogueira, sinais de um convertido

 TEXTO BÍBLICOLucas 22.31-34
“Simão, Simão, Satanás pediu vocês para peneirá-los como trigo. 32 Mas eu orei por você, para que a sua fé não desfaleça. E quando você se converter, fortaleça seus irmãos. 33 Mas ele respondeu: Estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte. 34 Eu lhe digo, Pedro, que antes que o galo cante hoje, três vezes você negará que me conhece”.


(Introdução) O sol brilha forte em um início de manhã, pelas bandas da Galiléia, conforme detalha Lucas, o médico, no seu capítulo 5, o Messias está chegando perto do lago de Genesaré, uma grande multidão o comprimia de todos os lados para ouvir a sua palavra. As coisas estavam conturbadas pois o apóstolo João encontrava-se preso por pregar o evangelho e os discípulos sentiam na pele o clima de perseguição. Foi neste contexto conturbado, onde Jesus fixou os olhos em um dos barcos. Lá dentro dois homens gesticulam freneticamente, como se estivessem discutindo um com o outro. O motivo da discussão é que já se fazia bem tarde e até aquele momento nenhum peixe, sequer, havia sido pescado. Jesus,  um homem franzino, se aproxima seguido por uma multidão e entra em um dos barcos onde estava Simão, o nosso personagem principal, e André, seu irmão, e dá uma ordem: Rapazes! Vamos para onde as águas são mais profundas!
       Se pararmos um pouco nesta parte da história, certamente veremos Simão olhando de “entreolhos” para André, e mesmo sem dizer uma palavra poderíamos ouvir as suas: “Mas quem é este magrelo para nos dizer onde pescar? Nós conhecemos este mar melhor do que ninguém e não pescamos nada até agora!”. Simão sequer acabou de “piscar” e eis que o Messias, que desejava ensinar a multidão e iniciar a colheita dos seus discípulos, abre a boca de novo e diz bem alto, não só a Simão, mas a todos os outros barcos que estavam por perto: “Lancem as redes para pesca!”. Novamente, Simão olha para um lado, olha para outro e ouvindo uma multidão gritando  “Mestre”, “Mestre” e apontando para aquele que estava no seu barco os segue dizendo: (Lc. 5.5) “Mestre, esforçamo-nos a noite toda e não pegamos nada, mas já que o Senhor está falando, vou lançar as redes”.
A partir deste momento a história de Simão nunca mais foi a mesma. Ao lançar as redes elas se encheram a ponto de rasgarem-se tamanha a quantidade pescada. Simão, tendo os seus olhos abertos olha nos olhos de Jesus, prostra-se aos seus pés e diz: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” e eis então a célebre resposta de Jesus, capaz de interferir no evangelho até os dias de hoje: “Não tenha medo Pedro, de agora em diante você será pescador de homens”. Ao mesmo tempo também disse a alguns, ali por perto: “Sigam-me e eu vos farei pescadores de homens!”.  Apesar do apóstolo João relatar um encontro acontecido antes deste entre Jesus e Simão Pedro, compreendo que os relatos de Mateus, Marcos e Lucas relatam um encontro onde o poder de Deus tocou definitivamente a vida de Pedro.

Pedro e a nossa realidade
       Mateus, Marcos, Lucas e João destacam a vida do apóstolo Pedro, Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, um pescador na cidade de Cafarnaum onde morava com a família. Este Pedro do qual falamos destacou-se como o líder dos apóstolos, tendo feito parte do grupo mais chegado de Jesus entre os doze. O apóstolo Pedro foi honrado com a chance de acompanhar os maiores milagres de Jesus. Ao mesmo tempo em que presenciou milagres como a cura da sua sogra, colocou-se em apuros ao pedir para andar sobre as águas e encontrar com Jesus, ou quando utilizou sua espada, ferindo a orelha de Malco, o aprendiz de sacerdote, comumente confundido com um soldado em diversas pregações e estudos. A palavra de Deus mostra o apóstolo Pedro não só presenciando como também realizando milagres em nome de Jesus, enfrentando opositores do ministério de Cristo, e fazendo discursos acalorados em torno do seu ministério. 
Em tudo isto, ao olhar para a vida de Pedro, o texto de Lucas 22.31-34 é capaz de nos chamar atenção. Este mesmo homem com status de apóstolo, dotado de autoridade, tendo vivido ao lado de Jesus e O acompanhado de forma muito mais próxima do que a maioria dos outros discípulos recebe uma palavra forte de Deus no versículo 32. Jesus lhe diz: “Pedro, quando você se converter, fortaleça seus irmãos”. Seria isto por causa do temperamento de Pedro?

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Deus não está preocupado com temperamentos
Ao longo da história de Pedro o encontramos em uma série de altos e baixos na área espiritual e psicológica, capaz de torná-lo entre os apóstolos um dos mais próximos a todos nós mortais comuns. A psicologia divide os temperamentos em quatro tipos específicos: Os coléricos, os sanguíneos, os melancólicos e os fleumáticos. Ainda, segundo a psicologia compreende-se que um padrão temperamental não muda, apenas pode ser controlado ou moldado conforme o amadurecimento físico e intelectual do indivíduo. Nós cristãos, também poderíamos acrescentar aos psicólogos mais um tipo de amadurecimento: O espiritual, capaz de moldar temperamentos de uma forma milagrosa! Este nosso Pedro era sanguíneo, um homem intempestivo, capaz de agir primeiro para depois pensar, de não medir as palavras, de por vezes chorar com facilidade, enfim. Esta era a personalidade de Pedro, capaz de gerar muitos prejuízos quando não controlada no tempo certo. Entretanto, Deus não estava preocupado com as estruturas psicológicas de Pedro e sim com as estruturas espirituais que regiam a sua vida. Deus não se preocupa com temperamento, e caso se preocupasse não teria chamado o próprio Pedro e os dois irmãos, Tiago e João, filhos de Zebedeu e Salomé.
Alguns meses antes de ser morto, Jesus e seus discípulos atravessavam a montanhosa Samaria. Naquela tarde, os samaritanos ignoraram o cansaço dos discípulos e tentaram impedí-los de passar a noite na cidade por possuírem diferenças com os samaritanos. Naquele momento vimos Tiago e João dizendo: “Senhor, quer que mandemos fogo do céu para matá-los?”. Claro que Jesus os repreendeu. Em outro momento também vemos estes dois discípulos causarem uma grande discussão depois de pedirem a sua mãe para clamar a Jesus: “Manda que estes dois filhos meus se assentem no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”.
Definitivamente, Deus não está preocupado com o seu temperamento, Jesus tem preocupação em que você esteja convertido à ele, firme no seu propósito, e quando olhamos para este texto em Lucas 22 encontramos um problema: Pedrão não estava convertido, e a poucos dias da morte de Jesus!

Muitos trabalhadores, poucos convertidos
(Desenvolvimento) – Quando olhamos para a igreja atual encontramos um cenário muito parecido com o episódio relatado em Lucas 22. Muitas pessoas bradando em torno da sua conversão, cantando e pregando nos altares, trabalhando nos seus ministérios, liderando pessoas, ouvindo a palavra de Deus, frequentando os cultos sistematicamente, dispostos a darem suas vidas por Jesus e a seguí-Lo para onde Ele for, mas no fundo, se Jesus tivesse a mesma oportunidade lhes diria tal e qual disse a Pedro: “Quando você se converter, fortaleça os seus irmãos”. Isto acontece porque uma pessoa não convertida pode tentar ajudar outra pessoa, e secularmente falando pode até conseguir, um não convertido pode motivar outra pessoa, secularmente falando, quem sabe até um não convertido pode falar a respeito da palavra de Deus a outras pessoas, mas há algo que este não convertido jamais conseguira fazer: “Transmitir aquilo que não possui”. Se você não está forte espiritualmente, poderá fazer tudo o que dissemos antes, apenas no plano terreno, mas espiritualmente jamais haverão frutos.  Convertidos fazem convertidos, descrentes fazem descrentes. Viu Pedro? Muitas palavras, muita obra, lado a lado com Jesus, mas não seria até aquele momento capaz de transmitir o principal: Salvação de Vidas. Não convertidos são capazes de gerar pessoas crentes, mas não capazes de gerar pessoas salvas, não convertidos geram pessoas com religiosidades, mas não religiosas, não convertidos precisam viver sob doutrinas humanas e não espirituais. Finalmente, não convertidos geram rejeitados e não salvos, pois estes possuem visão superficial da salvação adaptada aos seus próprios conceitos e não à mensagem de Cruz pregada por Jesus. O texto em apocalipse 3, do apóstolo João à Igreja de Laudicéia diz (Vers. 15 e 16) – “Conheço as tuas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio e nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca”.

As características de um não convertido
Entre diversas características de um não convertido, conhecedor da palavra de Deus, vamos utilizar o texto em questão para elucidar algumas capazes nos ajudar a crescer espiritualmente. Como sempre falamos, a bíblia é um livro espiritual para ser compreendido mediante a visão espiritual que Jesus Cristo nos dá. Se você puder abrir os seus olhos e ouvidos espirituais, será capaz também de compreender de forma espiritual.

PRIMEIRO
Não convertidos estão presos ao passado
      

No primeiro encontro entre Jesus e Pedro Ele o chama de CEFAS, em hebraico, confirmando a sua procedência profética. O nome Cefas, significa PEDRA, representando firmeza, força e autoridade, mas agora, cerca de três anos depois, em Lucas 22.31 vemos o Senhor Jesus chamá-lo de “Simão”, e como se não bastasse ter sido chamado uma vez, o Senhor o chamou duas vezes dizendo: “Simão, Simão”. Todas as vezes que a bíblia chama alguém pelo seu nome duas vezes, encontramos uma advertência quanto a algo importante que já deveria ter acontecido ou que vai acontecer em relação à própria pessoa. A tradução literal para “Simão”, nome antigo de Pedro é “Cana Rachada”. Se você puxar um pouco pela sua imaginação, poderá ver uma cana rachada, balançando com o vento e certamente caindo por falta de sustentação. Esta era a vida de Pedro antes de conhecer Jesus, uma cana rachada! Sempre sujeito aos ventos contrários, capazes de derrubá-lo com facilidade, mesmo contra a sua vontade. Algumas pessoas afirmam que Pedro era um empresário, um homem de posses, mas isto não se confirma. Pedro era um simples pescador, dono de alguns barcos pequenos, utilizados para pescar a quantidade suficiente para a sua sobrevivência, de sua família e talvez dos seus parentes. Uma vez que eram vários barcos, podemos supor que cada um conseguia o seu e dividia conforme a necessidade. Ainda que Pedro fosse um empresário não seria um homem feliz. O próprio momento do encontro com Jesus revela um dia difícil na sua vida: Não haviam pescado nada! Ninguém cuja fartura lhe permitisse passaria a noite toda tentando pescar, se não lhe fosse absolutamente necessário. Por outro lado o temperamento sanguíneo de Pedro revela-nos todas as dificuldades impostas aos sanguíneos. Estes sofrem por tomar decisões precipitadas, por falar sem pensar, por agir intempestivamente e mudar rapidamente de ideia. A própria decisão de Pedro foi intempestiva: “E imediatamente largou as redes e o seguiu...”.  Quando Jesus chamou o “apóstolo Pedro” de “Simão”, estava dizendo o seguinte: “Pedrão, você ainda não se converteu! Continua cheio das suas atitudes do passado, vivendo exatamente como antes. Apesar de andar ao meu lado por todos estes anos o seu interior ainda é o mesmo Simão”.


SEGUNDO
Não convertidos estão nas mãos do inimigo
       Jesus, amplamente espiritual em todos os sentidos, teve uma visão em relação aos seus discípulos, mais especificamente em relação a Pedro: “Satanás o havia pedido, para ser peneirado como trigo”. Como assim? Tente imaginar o agricultor peneirando trigo: O trigo e arrancado do solo, inclusive com a sua raiz, depois colocado para secar ao sol, depois disso juntado em feixes, logo após o agricultor pega os feixes e bate com eles firmemente no chão. Depois de uma longa surra, o que sobrou vira palha para ser queimada no fogo, e os grãos, agora separados no chão, são varridos e juntados para então passarem por mais um tratamento: A peneira! Agora o hábil agricultor, coloca pequenas quantidades de trigo na peneira, balançando rapidamente da direita para esquerda, da esquerda para a direita e num rápido movimento joga para cima os grãos para que o movimento e o vento possam separar a casca dos grãos. Este é o plano do inimigo para os irmãos em Cristo cuja conversão ainda não se deu por completo. O plano do inimigo é “roubar, matar e destruir”, deixando o indivíduo sem raiz, sem galhos e sem a casca, que representa a armadura espiritual do Cristão. Pense quantas pessoas estão vivendo assim nas igrejas. Satanás pega essas pessoas e joga pra cima e para baixo, tira o seu sustento espiritual, tira o seu sustento físico, remove as suas capas, destrói a sua capacidade de continuar produzindo. Estas são pessoas tristes, e mesmo plantadas na terra, são incapazes de produzir felicidade, confiança e entendimento.

TERCEIRO
Falam muito, mas não fazem nada.
       No versículo 33 de Lucas 22 Pedro diz: “Estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte”, entretanto como lemos e sabemos a história não se confirmou a princípio. Pedro não só abandonou Jesus quando Ele foi preso, como também o abandonou nos momentos finais antes da sua morte. É fácil dizermos palavras bonitas: “Estou contigo, te seguirei até os confins da terra, estamos unidos num só espírito, onde tu fores eu irei”, mas será? Até que ponto estamos dispostos a caminhar firmes ao lado de Deus, firmes em nosso ministério, com nossos pastores. Quantas pessoas deixam os seus ministérios por bobeiras, por status, por não concordarem com a sua visão interior de evangelho. Quantas pessoas murmuram e se revoltam contra Deus por não terem atendidas as suas exigências, ou contra os seus líderes por não acompanharem as suas idéias e os seus desejos, como se estes fossem obrigados a obedecê-los e não o contrário. Sem perceber estas pessoas estão trocando o agricultor das suas vidas. 1ª. Samuel 15.23 diz: “Pois a rebeldia é como pecado da feitiçaria, e arrogância como o mal da idolatria..”. A feitiçaria basicamente consiste em buscar meios para invocar demônios capazes de agir em prol de uma causa ruim. Quando falamos e não cumprimos, permitimos este mesmo sentimento no nosso coração e geramos os mesmos resultados na vida de outras pessoas.  Não foi por acaso que Jesus seguiu no texto dizendo: “Eu lhe digo, Pedro, que antes que o galo cante hoje, três vezes você negará que me conhece”. Em outras palavras Jesus estava dizendo: Pedro, você fala muito, mas não é capaz de cumprir o que diz.
      
Precisamos refletir sobre a nossa vida
Pare um pouco e vamos pensar juntos: Como Jesus o chamaria se encontrasse com você hoje? Pedro ou Simão? Como é a sua estrutura de vida? Você ainda tem as mesmas atitudes do passado? Não tem controle emocional, não consegue segurar a sua língua, age sem pensar se vai ou não machucar as pessoas? Será que vez ou outra não sai aquele palavrãozinho da sua boca? Será que vez ou outra você não murmura, não coloca o seu lado sanguíneo para fora sem pensar nas consequências? Quantas vezes você já assumiu um compromisso diante de Deus e deixou de cumpri-lo logo depois? As suas respostas para estas questões irão falar a respeito de como você tem vivido e como você poderá viver se não assumir uma postura firme diante do Espírito Santo.

Os resultados na vida de um não convertido
       Antes de continuar quero lembrar a você de que pregamos a respeito do “grande” apóstolo Pedro. Definitivamente esta é uma prova de que qualquer pessoa, mesmo estando diante de Deus, convivendo com ele, e quem sabe até respeitando “entre aspas”, a sua doutrina, pode viver sofrer deste mal e das suas consequências. Nada na bíblia está escrito por caso, e há um ensinamento profundo em torno desta passagem para todos nós, desejosos de obter uma vida com realidade diante de Deus. Vejamos alguns.

Seguir Deus de longe
       O versículo 54  de Lucas 22 mostra Jesus já preso e sendo levado à casa do sumo sacerdote. Escondido na penumbra da obscuridão dos seus sentimentos e da sua fé, o texto afirma: “Pedro o seguia à distância”. Atualmente vemos uma multidão de pessoas seguindo Jesus à distância. Não querem compromisso para não comprometer o seu tempo, não querem responsabilidade para não comprometer a sua liberdade, e não querem identificação para não comprometer os seus grupos sociais. Seguindo esta onda, muitos espertos tem criado ministérios voltados para os seguidores de longe. Pode tudo! Piercing, tatuagem, pode homem com homem, mulher com mulher, o dízimo é roubo e palavra de correção é autoritarismo.
Pessoas vivendo longe de Deus não conseguem ouvir a sua voz. Pessoas longe de Deus recebem por último a sua mensagem e pessoas longe de Deus de vez enquando precisam ouvir uns gritos do Senhor para poder compreender a sua realidade de vida, enquanto que os mais próximos ouvem uma voz branda e carinhosa. Isto pode parecer estranho a princípio mas é uma ilustração válida. Perceba: Quando estamos distantes de Deus, pecamos e quando pecamos a voz de Deus brada de uma forma tão forte que todas as pessoas à nossa volta ficam sabendo a respeito da sua vida. É como se alguém pegasse um alto falante e dissesse: Ei! Tome um rumo na sua vida, saia desta situação de pecado porque se você continuar assim vai morrer. Agora, quando estamos próximos de Deus não há necessidade disto. O Senhor se aproxima dos nossos ouvidos e bem baixinho fala somente com você quais os passos a tomar para mudar a direção da sua vida e atingir um nível de fé e santidade capaz de gerar resultados.

Compactuar com o mundo
       O versículo 55 diz que... “quando acenderam um fogo no meio do pátio e se sentaram ao redor dele, Pedro sentou-se com eles”. O conhecido Salmo 1.1 diz – “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda com os zombadores”. Ora! Qual o pecado em sentar-se à beira do fogo para aquecer-se? Se o próprio Deus diz em Ezequiel 33.11 – “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas que o ímpio se converta do seu caminho e viva”, ou ainda Romanos 5.8 – “...Deus morreu por nós sendo ainda pecadores”. A questão neste caso, não era participar de uma fogueira para aquecer o corpo em uma madrugada fria, e sim participar de um culto pagão. Em Roma, toda fogueira era consagrada ao deus Vulcano, filho de Jupiter (Hefesto na mitologia grega), o Deus dos raios e do fogo. Então, quando Pedro sentou-se à beira daquela fogueira e não se identificou como Cristão, viu-se obrigado a participar a conduta dos pecadores, que naquele momento consagravam aquele fogo a um falso Deus.
       Todas as vezes, quando negamos a nossa posição de fé, automáticamente somos levados, por vontade própria ou acidente, a ceder para algum tipo de entidade demoníaca. O pessoa sempre acaba bebendo, fumando, praticando sexo fora do casamento, entre diversos outros acidentes de percurso.

Perder a identidade
       Vamos acompanhar os versículos 56 a 58: “Uma criada viu (Pedro) sentado ali à luz do fogo. Olhou fixamente para ele e disse: ‘Este homem estava com Ele’. Mas ele negou: ‘Mulher, não O conheço’. Pouco depois, um homem o viu e disse: ‘Você também é um deles’. ‘Homem, não sou!’, respondeu”. O que Pedro está fazendo é negar, definitivamente a sua identidade cristã. Se negamos a nossa identidade, por uma questão de sobrevivência precisamos nos identificar com alguém. Com quem? Eis a questão! Existe a possibilidade de identificar-se com qualquer grupo, qualquer tendência, qualquer ideologia e depois disto estamos desligados de Deus conforme diz Mateus 10.33 – Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus.  
       Um cristão precisa ser identificado como Cristão, não somente pelo modo de vestir ou falar, mas pela sua própria essência. Esta identificação é espiritual. Não são sapatos brilhantes e gravatas chiques que definem um Cristão, são calçados apostólicos e as vestes brancas de santidade os verdadeiros do homem e da mulher espiritual.

O GALO E A FOGUEIRA
Os dois choques de realidade

       O lado bom da vida Cristã é que Deus sempre tem um plano de salvação exposto em cada uma das situações onde fraquejamos ou simplesmente destoamos da conduta ideal. Jesus está sempre de braços abertos para mudar a sua conduta e corrigir os seus passos. Este plano exposto em cada uma das suas passagens envolve um misto entre fatores naturais e fatores espirituais, ligando-os de forma a fazer uma pessoa compreender a necessidade de mudança na sua vida. Vamos ver como isto aconteceu na vida de Pedro, transformando-o em um dos nomes mais proeminentes da Palavra de Deus.

O CANTO DO GALO
Um choque íntimo de realidade

       Jesus era Judeu, e como tal possuía o hábito da oração. Percebemos isto nas várias vezes em que orava e chamava os seus discípulos para orarem com ele. Pedro, entretanto, era do grupo dos seus discípulos mais próximos, consequentemente em muitas destas vezes esteve junto com Jesus. Eram momentos de extrema revelação onde o Espírito Santo de Deus bradava forte no seu coração, onde as realidades presentes e futuras abriam-se para ele de uma forma impossível para a maioria das pessoas, inclusive de alguns outros discípulos. A maioria dos Judeus oravam  três vezes ao dia, às 9, as 12 e as 15h00, entretanto Jesus não era um Judeu comum, Ele orava o tempo todo! À meia noite, às 3 da manha, às 6 da manha e ai por diante. Mateus 26.36-41, mostra o momento quando em profunda agonia Jesus chama seus discípulos para orarem com Ele e na volta os encontra dormindo, Marcos 1.35 diz: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”. Jesus era um discipulador de autoridade e amor. Sabia quando havia necessidade de corrigir e também de exortar.
       As orações tradicionais eram momentos comuns na vida de Pedro, mas as orações da madrugada, estas sim, o faziam lembrar do verdadeiro Mestre e das suas palavras e Jesus tinha um plano para fazê-lo voltar a este primeiro amor. Aliás, Jesus sempre tem um plano, neste caso. O Canto do Galo! Entenda este mistério: Naquele momento Jesus estava preso em Jerusalém e seria conduzido ao Sinédrio, bem próximo a chamada “Fortaleza Antonia”, uma espécie de quartel general dos soldados Romanos. Estes soldados romanos mantinham um rigoroso controle dos horários da guarda, o que chamavam de vigílias. Estas vigílias trocavam de turno exatamente de 3 em 3 horas, entretanto havia duas trocas de turnos denominadas “Primeiro Gallicinium”, e “segundo Gallicinium”, que traduz-se por “primeiro canto do galo” e “segundo canto do galo”. Estas por sua vez ocorriam à meia-noite e às três horas da madrugada respectivamente por intermédio de um toque característico das trombetas. Este toque das trombetas era ouvido por quilômetros de distância, exatamente pelo fato de ocorrerem de madrugada e chamava a atenção de todo o povo. O que acontece é que estando nas proximidades, aquele toque das trombetas eram associados pelos discípulos ao momento das orações da madrugada do Mestre.
       Aquele momento então, era especial para Pedro, pois o fazia voltar no tempo e lembrar-se destes momentos especiais de oração e revelação das maravilhas de Deus. Agora veja isto: Já é passada a meia noite, Pedro está sentado à beira da fogueira, de repente uma criada olha para ele e diz: Este homem estava com ele!”, ao que Pedro diz: “Mulher não o conheço”, pouco depois um homem o viu e disse: “Você também é um deles” ao que Pedro responde: “Homem não sou!”, cerca de uma hora depois, por volta das “três horas da mahã”,  outro homem afirmou: “Certamente este homem estava com ele, pois é Galileu”, ao que Pedro respondeu: “Homem, não sei do que você está falando!”. Diz a bíblia que ele ainda falava quando o “Galo Cantou”, soaram as trombetas. Neste momento, passavam com Jesus bem na sua frente. Suas pernas, tremeram, um filme passou na sua cabeça: Quantas madrugadas estive ao lado do mestre, aprendendo a orar, aprendendo a adorar e agora cá estou, negando o próprio Deus. Diz a bíblia que Pedro retirou-se dali e “Chorou amargamente”.
O canto da galo representa um choque de realidade com a vida do homem pelo qual todos nós devemos passar uma vez na vida. É quando somos confrontados com a diferença entre o que acreditamos, pregamos e vivemos. Este mesmo toque das trombetas, capaz de gerar um tremor nas pernas de Pedro, deve tocar na sua mente e fazer você pensar na sua realidade de vida. Lembra-se dos seus primeiros dias na igreja? Lembre-se de quando você viu os primeiros sinais e maravilhas do Espírito Santo na sua vida e em sua volta, quanto passou pelo batismo nas águas, pelo batísmo com o Espírito Santo de Deus. Pedro havia se esquecido e Deus fez por onde lembrá-lo para resgatar a sua vida.
Se você não quiser negar (ou continuar negando) Jesus, vivendo uma vida dupla entre o mundo e a santidade, é preciso fechar os seus olhos para o mundo e abrir os seus olhos para Deus. Lembrar-se de todos estes momentos na sua vida e tal e qual Pedro, chorar amargamente por todo sentimento contrário em relação à sua fé.

A FOGUEIRA
Um choque público de realidade

       Jesus na sua onisciência sabia do futuro de Pedro. Era necessário torná-lo um homem perfeitamente convencido nas suas estruturas de fé para que ele pudesse suportar todas as situações ainda por vir sobre a sua vida. Conosco a situação se repete, Jesus na sua onisciência sabe onde e quando você será útil para a sua obra, onde você será um instrumento de Deus na salvação de vidas para transformar pessoas descrentes em crentes e desviados em seguidores de uma doutrina verdadeira e apostólica.
       Na estratégia de correção na vida de Pedro o messias estabeleceu um primeiro choque de realidade, o Canto do Galo, onde Ele confrontou-se com a suas lembranças, e pôde recordar do padrão íntimo de relacionamento atingindo junto a Deus. Agora, com a fogueira, haveria um novo choque, porém uma questão pública e notória. Novamente, conosco a situação é semelhante. Se desejamos estar na presença de Deus precisamos ser confrontados intimamente e publicamente. No texto de Lucas 22, e nos versículos 56 a 59, vamos encontrar as três confrontações públicas de Pedro e entenderemos os seus significados.

       PRIMEIRO – É preciso ser confrontado pela igreja. No versículo 56, a bíblia mostra uma criada olhando fixamente para Pedro e lhe dizendo: “Este homem estava com ele”. Conforme dissemos em outras oportunidades, a mulher, na bíblia, sempre representa a igreja. Observemos rapidamente Adão e Eva. Quando Adão, que representa Deus se afasta de Eva, que representa a Igreja, a mesma se desvia da sua conduta moral e espiritual e desobedece às ordens do Pai. Logo depois, a “igreja”, distante de “Deus”, cai em pecado e é expulsa do Eden, que simboliza o Mundo ideal criado por Deus, onde o homem gozava de vida eterna. A sequência deste texto no Bereshit, o livro do começo é tremenda. Logo depois, Deus rompe as barreiras do céus e volta ao mundo. Da mesma forma Deus em breve romperá as barreiras que separam o homem da sua presença e virá novamente a este mundo e repetira Gênesis 3.13: “O que foi que você fez?”. Como forma de salvar a humanidade, Deus então fez roupas de pele, matando um animal inocente e Deu ao homem para que pudessem suportar as intempéries de um mundo estranho. Da mesma forma o Pai enviou o seu filho para ser sacrificado e vestir a humanidade com as vestes brancas de santidade e suportar as intempéries deste nosso mundo estranho.
       Aquela mulher, representando a igreja, confrontou Pedro dizendo: Você estava com Ele! Em outras palavras ela disse: “Ei Pedro, você não era aquele que orava com Jesus, que caminhava com ele, seguia os seus passos e cumpria a sua doutrina?”. Mesmo com a negativa de Pedro, aquelas palavras mexeram com ele. Atualmente a igreja não confronta mais as pessoas. Muitas vezes prefere concordar com práticas pagãs ao invés de confrontar os seus membros e falar a verdade. No livro do Apocalipse 2.15, estão escritas as revelações do apóstolo João à igreja de Pérgamo – “De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaitas”. Observando o sentido etimológico da palavra compreenderemos melhor. O termo Nicolau vem do hebraico e significa – “Vitorioso sobre todo o povo”, já a definição grega para a palavra é “Nikolaos”, compreendendo a junção de duas palavras: Nikao, que significa conquistar e Laos, que significa “os leigos”. Etimologicamente compreendemos que a palavra Nicolaita é “Aquele que domina sobre o povo leigo”. Esta estrutura criada por homens onde não há confronto e em tudo se está de acordo é uma forma branda de dizer às pessoas: “Sigam-me! É mais fácil assim”, e com isto as pessoas se deixam ser dominadas por palavras bonitas mas incapazes de direcionar e corrigir.
       Perceba então: Para ficar firme no seu propósito é necessário ser confrontado com a nossa realidade de vida. Foi isto que Deus providenciou para Pedro e é isto o que deve ser providenciado para você dentro da sua realidade de vida. Não tenha medo! Aprenda a ser confrontado e a abrir o seu coração diante de palavras verdadeiras, para o Senhor, então, pode tratar toda e qualquer dificuldade na sua vida.

       SEGUNDO – É preciso ser confrontado por Deus. Veja a sutileza da palavra de Deus. Pedro, de frente para uma fogueira, sendo confrontado primeiramente por uma mulher, representando a igreja, e agora, no versículo 58, sendo confrontado por um homem. Já aprendemos que o homem representa o próprio Deus, e ele disse: “Você também é um deles”. Pedro estava sendo confrontado por Deus no sentido de lembrar-se das suas origens cristãs: “Ei Pedro, você é um dos nossos!”.
       Pare e pense: Quantas vezes o próprio Deus já confrontou você de alguma forma através de uma palavra, uma voz, um louvor, uma oração ou outra maneira encontrada por Ele para fazer você enxergar a realidade? O tempo todo Jesus está confrontando a sua vida no sentido de fazê-lo voltar às suas origens. Esta é a maior esperança do Senhor, tê-lo em conformidade com a sua palavra e a sua autoridade.
       E agora? Você falar igual a Pedro? – “Não, Deus, eu não sou esta pessoa de quem você está falando?” Ou você vai admitir que Cristo é o seu salvador e se colocar na posição de homem ou mulher de Deus, como alguém capaz de adorar, orar, interceder e chorar na presença de Jesus Cristo.

       TERCEIRO – É preciso ser confrontado pelo Espírito Santo. Por último, o versículo 59, mostra Pedro sendo confrontado por um outro homem, e ele diz: “Certamente este homem estava com ele, pois é Galileu”. Ah! Quão tremendas são as palavras de Deus para os espirituais. Veja o capricho do Senhor nestas poucas letras. Agora já não vemos apenas o Deus filho confrontando Pedro em relação à sua palavra e a sua autoridade, mas sim o Deus pai lhe dizendo: “Pedro não há como negar que você esteve ao lado do filho, porque você é Galileu, Eu sei de onde você vem!”. Ora como um homem desconhecido, que jamais havia tido contato com Pedro poderia identificá-lo? Simples! Estava estampado na face de Pedro de onde ele viera. Foi nas terras Galiléias onde Pedro presenciou grandes milagres de Deus, onde viu os seus sinais e maravilhas. O Espírito Santo, que conhecia intimamente a Pedro estava abrindo os seus olhos para a realidade da sua vida e fazendo-o pensar. Você não pode negar de onde vem, muito menos para onde vai. Em Atos 1.11 vemos o evangelista Lucas descrevendo a respeito do momento em que Jesus Cristo subiu aos céus. No texto depois de afirmar aos seus discípulos para não saírem de Jerusalém, porque brevemente seriam batizados com o Espírito Santo, está escrito que eles receberiam poder, quando o Espírito Santo descesse sobre eles e seriam testemunhas em Jerusalém, em toda a Samaria, Judéia e confins da Terra. De repente, Jesus é levado às alturas, e ali, com os olhos fixos no céu surgem dois anjos que lhe dizem: Ei, varões Galileus, por que vocês estão olhando para o Céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi levado aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir. E quanto a você varão (ou varoa) Galileu! Vai ficar até quando deixando o tempo passar? O Espírito Santo está confrontando a sua vida para que você possa ter uma nova realidade de vida. Acredite! É possível mudar de vida, mas você precisa se render à autoridade e a visão do Espírito Santo sobre a sua vida.

Conclusão: Hoje é um dia de confrontamentos! Abra o seu coração para Deus e permita a Ele tocar as trombetas capazes de levar você novamente ao primeiro amor e, quem sabe, colocar você de frente à fogueira para se confrontar com todas as suas realidades e necessidades de mudança. Deus tem propósitos para a sua vida que poderão iniciar um cadeia de sucessos tremendos a partir do momento em que estas palavras se confirmarem em sua vida.

Toda honra e toda glória, seja dada ao Senhor Jesus!
Seja como Pedro!

pr. altamir de souza
Na Visão de Multidões!
Shalom Aleichem, Aleichem Shalom
A paz seja convosco, convosco esteja a paz

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